18 Dec 2013

Elocubrações

Você começa de um jeito, gira, transmuta, aprende; enrola um pouco, passa aquele domingo no sofá, observa a tinta secando enquanto ainda falta coisa pra pintar, pensa, guarda um segredo, conta outro e se arrepende, ensina algo que muda a vida de alguém, dá uma opinião que faz outro chorar.

Você continua buscando pela paz objetivada sabendo que ela é só momentânea e mesmo que fosse permanente só tornaria tudo absurdamente chato; acontecimentos te incomodam, notícias te chocam, trabalho te atormenta, vizinhos te irritam e familiares te enlouquecem; "é a vida" e "paciência" tornam-se mantras repetidos, repetidos.

Cada momento tem a mesma duração mas nosso maquinário bio-sensorial distorce a percepção e a hora no trânsito passa como quatro, a hora nos braços do amor em um minuto; passa, passa, passa.

Cada tormento é uma benção que ensina e fortalece, mas nosso espírito sente-se cansado com isso ou aquilo de qualquer forma, o castelo mais alto na montanha mais bonita com a vista mais maravilhosa ainda pode ser frio demais, demais.

A gente acha que pode suspender a alegria quando ela vem, congelá-la numa bandejinha de plástico até que fique tão sólida que seria preciso torcê-la para removê-la, só pra no momento de colocar a reserva líquida no freezer do seu lóbulo temporal você dá com ela na parede e tudo transborda, cai no chão.

A gente fala com a clareza que pode usando os sistemas que tem e ainda assim toda mensagem é interpretada com um grau de erro, algumas vezes tolerável e outras vezes não, mas sempre presente. Falhas já são inerentes ao sistema de comunicação, e quando distorcidas pelo conjunto perceptivo do recipiente então quase desfazem-se.

Deixa pra lá. Tanto já foi escrito mesmo...